top of page
  • mario

9a. Aula - Reforço - Doutrinação

32. Pode-se doutrinar o Espírito encarnado que compareça a uma sessão de desobsessão? Pelas informações constantes do capítulo referente a evocações de pessoas vivas, em O Livro dos Médiuns, pode-se concluir ser possível falar a esse Espírito. São muitos os casos em que Espíritos encarnados foram evocados, durante o sono. E pululam outros em que Espíritos encarnados comparecem espontaneamente não apenas a reuniões mediúnicas, mas a muitos outros tipos de eventos dos dois planos. A Literatura Espírita é muito rica em narrativas sobre essas reuniões entre encarnados e desencarnados. E esse intercâmbio permanente é um dos fundamentos básicos do Espiritismo. Além disso, somos todos nós encarnados alvos de longas e insistentes doutrinações, durante o sono, pelos Espíritos que se interessam por nós, Como os encarnados não gozam do mesmo grau de liberdade dos desencarnados, por estarem sob à influência pesada da matéria, de volta ao corpo recordarão de uma doutrinação numa sessão de desobsessão a que eventualmente tenham comparecido nas condições mais ou menos como se recordam dos sonhos. Mas há casos de doutrinações assim, como um narrado pelo Dr. Bezerra de Menezes no seu livro A Loucura sob Novo Prisma. Foi o de um Espírito encarnado que, ouvido numa dessas reuniões de desobsessão naquela época, recusou-se a perdoar um outro Espírito desencarnado num caso de obsessão de encarnado sobre desencarnado.

33. Como o doutrinador pode saber se certo Espírito que incorporou no médium numa sessão é de um encarnado e não de um desencarnado?

É preciso, primeiro, muita experiência e muita atenção do doutrinador para os detalhes da conversa do comunicante, a fim de situá-lo na sua verdadeira condição espiritual. Ora, um comunicante que só fala de personagens e de situações presentes, de locais onde vive, descrevendo cenários, hábitos, vícios e projetando fatos como se falasse de alguém que leva uma vida comum numa comunidade como um encarnado, dá para começar a desconfiar, ficar de orelha em pé. Pelo menos, nos primeiros momentos, ele pode estabelecer confusão em quem o ouve atentamente e deseja obter a sua identificação. Em sua respeitável obra No Invisível (2a. Parte, Cap. XII), Léon Denis conta que durante três anos consecutivos pôde o Espírito de um vivo manifestar-se, via incorporação, no grupo por ele dirigido em Tours. Durante esse tempo, não se conseguiu distingui-lo dos Espíritos desencarnados que intervinham habitualmente nas sessões. "Os pormenores mais positivos nos eram, entretanto, por ele fornecidos acerca de sua identidade". Contava detalhes de sua vida, inclusive da preguiça e da bebedeira com que se deleitava. "Tudo nele — propósitos, recordações, pesares — nos dava a firme convicção de estarmos tratando com um desencarnado". Eis que um membro do grupo tomou a si a iniciativa de pesquisar o fato e o descobriu vivendo ainda do mesmo jeito que contava nas incorporações, na região por ele mesmo indicada. "Todas as noites se deitava às primeiras horas e, desdobrado, chegava até o grupo reunido incorporando-se em um médium a quem o prendiam laços de afinidade, cuja causa se nos conservou sempre ignorada". O Livro dos Médiuns tem um capítulo inteiro tratando da evocação de Espíritos encarnados.


34. O doutrinador deve participar como esclarecedor de manifestações fora do Centro Espírita?

Excluindo-se, é claro, as emergências que poderão levar eventualmente um doutrinador a ter que dialogar com um Espírito que se apossou de um médium enfermo ou invigilante, em local impróprio e horário inoportuno, o esclarecedor deve se resguardar de quaisquer envolvimentos com manifestações dessa ordem fora do ambiente próprio da Casa Espírita. As mesmas orientações que os Espíritos responsáveis dão aos médiuns valem para o esclarecedor, que detém sem dúvida maior fatia de responsabilidade nesses serviços de socorro espiritual, porque é ele quem dá o tom na orientação e condução dos trabalhos. Não deve, portanto, envolver-se com qualquer atividade de coordenação mediúnica que não tenha o respaldo de uma instituição responsável, a menos que se veja diante de uma emergência como já foi dito. É recomendável que as pessoas envolvidas sejam destinadas a uma sessão mediúnica e antes da mesma reforcem as orações e o evangelho no lar.

35. A doutrinação se destina exclusivamente aos obsessores e obsidiados? Alexandre, um dos mentores citados por André Luiz, ensina numa belíssima página sobre doutrinação, referindo-se à participação dos colaboradores terrenos nos programas de assistência espiritual: "...valemo-nos do concurso de médiuns e doutrinadores humanos, não só para facilitar a solução desejada, senão também para proporcionar ensinamentos vivos aos companheiros envolvidos na carne, despertando-lhes o coração para a espiritualidade". E arremata com muita propriedade: "Ajudando as entidades em desequilíbrio, ajudarão a si mesmos; doutrinando, acabarão igualmente doutrinados".

36. Como agir quando o médium passa mal e não colabora para o desligamento da entidade comunicante?

O doutrinador deve manter toda a tranquilidade e confiar plenamente na direção espiritual dos trabalhos. E o médium deve estar devidamente orientado que não deve ceder ao descontrole da entidade comunicante, dominando qualquer sugestão principalmente de medo, de modo a não criar resistência que provocam 'ingurgitamentos" energéticos e mal-estar. A dificuldade surge também quando o médium não trabalha, pela sua elevação moral, as defesas energéticas próprias, absorvendo a pesada carga fluídica do obsessor. Quando o médium está preparado, acontece como neste caso narrado por André Luiz: "O sofredor projetava de si estiletes de treva, que se fundiam na luz com que Celina-alma o rodeava, dedicada". Todavia, não deverá também o médium se entregar totalmente ao envolvimento, a ponto de permitir a exacerbação nervosa ou assumir comportamentos equivalentes de deseducação mediúnica. O esclarecedor após uma comunicação difícil deve dar um passe no médium para fortalecimento se o médium não tiver condição ou não saber fazer o auto passe.

37. E quando o médium sente a entidade, mas não completa o transe, ou seja, bloqueia a comunicação, como agir o doutrinador?

Cabe ao doutrinador orientar o sensitivo para não resistir à onda mental que o alcança, ainda que acompanhada de fortes emoções e sensações desconfortantes. Ela procede dos Espíritos e deverá ser canalizada sem bloqueios, porém com atenção, equilíbrio e disciplina. Com a prática e a dedicação, o sensitivo vai percebendo com facilidade o momento em que se processa a adesão do comunicante ao seu campo psíquico, isto é, o instante em que se dá a ligação efetiva com o comunicante, consolidando a sintonia. Vejamos como André Luiz resume esse intrincado mecanismo, ao descrever uma cena de incorporação: "Qual se fora atraído por vigoroso ímã, o sofredor arrojou-se sobre a organização física da médium, colando-se a ela instintivamente". É claro que André Luiz fala aqui de um médium já experiente e devidamente habilitado. Agora, "quando a educação mediúnica é deficiente ou viciosa, o intercâmbio é dificultado, faltando liberdade e segurança; o médium reage à exteriorização perispirítica, dificulta o desligamento e quase sempre intervém na comunicação, truncando-a". O esclarecedor pode chamar o espírito (venha meu irmão falar comigo.... seja bem-vindo....) com a mão no frontal do médium para fortalecer lhe o envolvimento espiritual.

38. Como o dirigente do grupo deve encarar o médium rebelde, que não aceita críticas e discorda sempre das orientações da direção?

A Casa Espírita não é local para rebeldia, uma vez que nós ingressamos nela com o objetivo firme de lutar contra as nossas imperfeições, assimilando e vivenciando as diretrizes do Evangelho renovador. Os Espíritos não nos substituem no esforço que nos cabe de trabalharmos a nossa própria transformação, vencendo vícios antigos e conquistando virtudes, inclusive a humildade. Eles nos ajudam, nos inspiram, nos falam pelos escaninhos da consciência, mas deixam que caminhemos ao encontro da própria dor quando nos revelamos rebeldes ou recusamos as suas orientações. Nem doutrinador, nem médium, nem trabalhador nenhum da Casa Espírita devem se rebelar contra os estatutos que disciplinam suas atividades. Em qualquer um dos casos é aconselhável que o trabalhador se afaste temporariamente das tarefas e se submeta inclusive a Tratamento Espiritual, pois é provável que esteja sob o assédio de inteligências invisíveis empenhadas em desestruturar o grupo e prejudicar o trabalho de socorro espiritual. No livro Ação e Reação, um instrutor esclarece a André Luiz sob um grupo de Espíritos não admitidos em um templo espiritual: "Nossa instituição permanece de braços abertos à provação e ao sofrimento, mas não à rebeldia e ao desespero". Feito o tratamento o médium discorde dos regulamentos da casa deverá ser direcionado a buscar uma seara que corresponda as suas expectativas.


39. Como deve ser o relacionamento do doutrinador com o grupo?

O dirigente da equipe de desobsessão é também doutrinador ou médium esclarecedor, que conta geralmente com um auxiliar nos trabalhos de direção do grupo. O dirigente precisa ser, pois, alguém em quem o grupo confie. Uma pessoa que represente para os encarnados a diretriz espiritual. Aquela que, na realidade, sustenta e orienta tudo o que ocorre. Ele é o representante da direção existente na espiritualidade, o polo catalisador da confiança e da boa vontade de todos. No instante do esclarecimento, quando a entidade se comunica, ele, o médium e toda a equipe, vivem um clima de expectativa, aguardando alguma coisa de alguma forma imprevisível. Nessa hora, o doutrinador será o polo catalisador de todas as emoções, nele se depositam todas as expectativas e confiança na condução e êxito dos trabalhos. A sua autoridade ou insegurança se refletirá no grupo. "Para manter-se na altura moral necessária, o dirigente dispensará a todos os componentes do conjunto a atenção e o carinho idênticos àquele que um professor reto e nobre cultiva perante os alunos", recomenda-nos André Luiz em Desobsessão.

40. Que se deve fazer para evitar a discórdia e a perturbação no grupo?

Uma das táticas dos Espíritos inferiores para alcançar os seus fins é a desunião, pois sabem muito bem que podem facilmente dominar aquele que estiver sem apoio. Assim, são seus primeiros cuidados, quando querem apoderar-se de alguém, inspirar-lhe a desconfiança e o isolamento, a fim de que ninguém possa desmascará-los. Estas são informações contidas na Revista Espírita, julho-1859, página 197. Ao perceber essas ameaças, deve o orientador bem-intencionado alertar o grupo, tomar precauções ou corrigir rumos, evitando o endeusamento de médiuns e melindres de outros, como também avaliar a sua própria postura para ver se não está colaborando, ainda que involuntariamente, para um clima de instabilidade da equipe. O Livro dos Médiuns, na questão 331, nos dá a seguinte orientação: "Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante dos seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for".

41. Como examinar o problema das substituições ou mudanças dos componentes da equipe mediúnica?

Voltamos a Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, que fala de suas próprias experiências: "A admissão de um novo componente pode alterar profundamente a estrutura e os métodos de trabalho da equipe, tanto num sentido como noutro, ou seja, tanto para o lado positivo, como para o negativo. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento e experiência e dar impulso às tarefas, revitalizando o grupo, trazendo uma contribuição construtiva, dinamizadora e eficiente. Se, porém, está mal preparado, infestado de frustrações, ou se deseja brilhar, poderá com sua influência aniquilar o grupo". Ele recomenda, portanto, serenidade na decisão que, a seu ver, somente deve ser acolhida se o novo componente não se revelar motivo de prejuízo para a equipe e aceitar o sistema de trabalho existente. O bom senso é o norte seguro de todas essas providências, uma vez que os Espíritos não interferem nas deliberações de alçada dos trabalhadores encarnados. Agora, não é aconselhável que essas alterações virem rotina a ponto de descaracterizar o grupo com a sua consequente desarmonizarão, apesar de ser importante e necessária a renovação, mas na forma de organização e disciplina desejáveis nessa delicada área de desobsessão. Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz quer saber de um dirigente espiritual se no grupo mediúnico sob a sua assistência os médiuns são invariavelmente os mesmos, ele responde: "Sim, contudo, em casos de impedimento justo, podem ser substituídos, embora nessas circunstâncias se verifiquem, inevitavelmente, pequenos prejuízos resultantes de natural desajuste".

42. O que o doutrinador deve considerar um grupo produtivo nas tarefas de desobsessão? É o grupo que se apresenta bem harmonizado e que por isso mantém um bom desempenho, contribuindo para a eficácia das tarefas socorristas da Casa Espírita. Para que isso aconteça, é preciso evitar o personalismo e a curiosidade pura e simples. E como nos orienta O Livro dos Médiuns, é preciso que todos se confundam num só, com os pensamentos vibrando em uníssono em torno de um mesmo objetivo. "Se os pensamentos divergem, disso resulta um choque de ideias desagradáveis para o Espírito e, por consequência, nocivo à manifestação". E é essa mesma obra de Alan Kardec, a bíblia dos médiuns, que nos dá esta belíssima comparação: "Se um homem que deva falar numa assembleia sente que todos os pensamentos lhe são simpáticos e benevolentes, a impressão que recebe reage sobre as suas próprias ideias e lhe dá mais inspiração. A unanimidade desse concurso exerce sobre ele uma espécie de ação magnética que decuplica seus meios; ao passo que a indiferença ou a hostilidade o perturba e o paralisa".

43. Como o doutrinador detecta se uma reunião de desobsessão corre riscos e como evitá-los?

Quando os médiuns, despreparados, começam a chegar desarmonizados, trazendo para o ambiente da reunião vibrações danosas, negativas, desequilibrantes, o pensamento vicioso dos componentes da equipe pode contaminar o recinto adredemente preparado pelos protetores espirituais. Não só o dirigente, mas todos os componentes do grupo devem saber, através do estudo das obras básicas e complementares, que, sendo fluídica, a sala mediúnica pode sofrer alterações causadas pelo pensamento dos Espíritos (encarnados ou não) a ela vinculados. Até certo ponto, os problemas, falhas e dificuldades podem ter seus efeitos controlados pelos tarefeiros do plano espiritual. Mas em condições mais graves de desequilíbrio e despreparo, poderá ocorrer um "colapso" nos circuitos vibratórios que defendem a reunião, abrindo brechas para o ingresso indisciplinado de Espíritos perturbadores, com o consequente prejuízo para a sessão e seus participantes. Daí a necessidade de atenção, vigilância, experiência e conhecimento do dirigente-doutrinador quanto a todos esses fatores de riscos capazes de comprometer todo um trabalho de socorro espiritual. Isso prova a necessidade de os participantes do grupo manterem todas as suas expectativas voltadas para o trabalho mediúnico do dia, desde o instante em que despertar, redobrando a vigilância, procurando a sintonia com o plano espiritual, através de um estado de prece, de pensamentos e atos equilibrados, abstendo-se de fumo, álcool e qualquer outro vício. Essa preparação prévia ajudará muito na concentração e segurança dos trabalhos.

No Bom Caminho é solicitado que todos cheguem 15 minutos antes da reunião para o devido preparo de harmonização; após 15 dias de ausências no trabalho vai para o tratamento de equilíbrio para re-harmonização energética. Quando o médium se encontra em desequilíbrios emocionais é afastado para tratamento.

44. Além das preces de abertura e encerramento, é conveniente o doutrinador fazer outras preces, no curso da reunião de desobsessão?

O doutrinador pode recorrer à prece a qualquer hora da reunião, mas apenas quando necessário, para que o ambiente da desobsessão não se transforme naquelas cansativas ladainhas de rogativas e recomendações repetitivas, que mais viciam e condicionam do que ajudam. O ambiente da reunião mediúnica deve ser de profundo silêncio, e as preces, quando necessárias (para serem proveitosas) devem ser feitas em voz alta ou silenciosamente para contornar eventuais dificuldades no atendimento de algum Espírito em situação de grande sofrimento e revolta. A força da corrente de pensamentos do grupo em prece pode funcionar como sedativo para certas entidades, bem como motivar a equipe para um envolvimento cada vez mais intenso com os trabalhos de socorro espiritual no ambiente. O doutrinador pode ainda, desde que isso não se revele uma coisa ociosa, pedir ao Espírito em desespero para que ore juntamente com ele e todo o grupo para sentir-se mais aliviado. Agora, as orações mecanizadas, feitas aleatoriamente, são ociosas, não surtem o menor efeito, quando não raro até ajudam na irritação e agravamento do estado de perturbação do comunicante, como podem, também, interferir negativamente na concentração da equipe.

45. O doutrinador precisa tocar nos médiuns, forçar a comunicação ou repreendê-los? A orientação dos Espíritos é no sentido de que o dirigente somente toque no médium em transe quando necessário. Pelo menos, esta é a orientação de André Luiz, que recomenda ainda muito tato psicológico entre as providências necessárias para manter o equilíbrio da reunião. O termo repreensão não é adequado para uma reunião de caráter fraternal, mas cabe ao doutrinador ou dirigente, se julgar conveniente, abordar qualquer um dos componentes, desde que se trate do real interesse dos trabalhos. Além disso, em O Livro dos Médiuns, a orientação explícita é de que, em reuniões sérias, deve partir do médium a iniciativa de solicitar um exame crítico de suas comunicações para escapar aos perigos da fascinação. Quanto a forçar o médium a produzir na reunião, isso é despreparo para a delicada tarefa de orientador mediúnico. Tudo, na atividade mediúnica, deve se processar sem a indução, como forma de evitar a mistificação e a fraude. Pode e deve, entretanto, o esclarecedor, quando o médium revelar dificuldades no intercâmbio por problemas que não lhe sejam comuns, procurar orientá-lo sem prejuízo dos trabalhos. Isso é tarefa do doutrinador no seu relacionamento com o grupo.

46. O que fazer o doutrinador quando o grupo não está rendendo, apresenta um resultado escasso?

Cabe ao dirigente da reunião estimular o grupo, destacando a responsabilidade dos seus componentes e a importância das suas tarefas de assistência aos necessitados. É seu dever motivar. Se estiver ocorrendo problemas, dificuldades de integração, conflitos, falta de adaptação de parte de um ou de alguns membros em relação ao grupo, cabe ao dirigente orientar amorosamente, mas com a sinceridade indispensável, para que todos possam se dar conta dos seus deveres, quer como médiuns ostensivos, quer como apoiadores que ajudam a sustentar o equilíbrio vibratório pela prece íntima e pela emissão dos bons pensamentos. Se houver algum caso de inadaptação, providenciar o remanejamento para outro grupo com o qual o médium se afinize mais, ou orientar sobre a necessidade de tratamento, se for o caso.

47. Como o doutrinador deve agir em relação aos Espíritos que interferem na reunião para dar conselhos que nada têm a ver com o objetivo programado?

Nas reuniões de desobsessão, os Espíritos que deverão se manifestar são aqueles que devam, pela lógica, estar de alguma forma vinculados aos pacientes que passaram pelos tratamentos na seara ou aqueles que são evocados em locais através de socorros e resgates aleatórios inspirados pela espiritualidade. E deixado um espaço no final das reuniões segundo o qual, os bons Espíritos jamais aconselham coisas senão perfeitamente razoáveis. Toda recomendação que se afaste da linha reta do bom senso ou das leis mutáveis da natureza denota um Espírito pouco digno de confiança".

48. O doutrinador deve fazer a aplicação de passes ou orientar que o seu auxiliar ou qualquer outro membro do grupo o faça, durante a reunião mediúnica?

Que os médiuns saiam da sua posição de concentração, de recolhimento, para aplicar passes nos outros companheiros, isso não tem sentido. Agora, que o dirigente faça a aplicação ou determine que o seu auxiliar o faça, desde que não transforme essa prática em rotina, não conhecemos qualquer orientação contrária, sobretudo se as circunstâncias indicarem essa necessidade, como recurso destinado a desanuviar a situação de algum dos componentes envolvido por inesperado mal-estar. Se for algo mais grave que denote inclusive problema físico repentino, o médium deve ser retirado imediatamente do grupo e encaminhado ao atendimento adequado, inclusive médico-hospitalar, se persistir o mal-estar.

49. Como o doutrinador deve encaminhar o esclarecimento aos Espíritos suicidas? O sofrimento desses irmãos é tão intenso, eles se apresentam geralmente tão enlouquecidos pelo infortúnio, tão dementados, que o orientador não tem como lhes oferecer algum esclarecimento num primeiro contato. Esses irmãos "não necessitam tanto de doutrinação quanto de consolo. Cabe ao doutrinador socorrê-los, aliviando-lhes os sofrimentos através de emanações de amor ". Vejam um dos momentos da reunião de desobsessão em que a aplicação do passe é recomendada, mas deve ser feita pelo próprio dirigente ou seu auxiliar. O esclarecimento poderá ser ministrado em reuniões sucessivas, à medida também em que esses Espíritos vão sendo orientados pelos benfeitores no plano espiritual onde se encontram. Todo o grupo deve vibrar com muito amor por esses irmãos, direcionando-lhes os pensamentos de bondade e de otimismo, para os ajudar na reabilitação.

50. E os que doutrinam, demonstrando conhecimento de causa, podem se considerar imunes a essas tramas obsessivas que têm levado ao suicídio, para espanto nosso, pessoas tidas como esclarecidas ou de fé inabalável?

Geralmente, ensinamos para apreender. Naquele que ensina sob à presunção de que nada tem a aprender, há mais orgulho do que conhecimento. E é, exatamente, por essas brechas do orgulho, da vaidade, da presunção, da incúria que alcançam sutilmente o nosso íntimo antigos adversários que julgávamos sepultados nos séculos ou milênios. Além disso, para se atribuir a um crente a condição de portador de fé inabalável, é aconselhável que se consulte antes o item 7, do Capítulo XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que diz: "Fé inabalável é aquela que pode enfrentar a razão face a face e em todas as épocas da humanidade". Uma mensagem contida no livro Instruções Psicofônicas, psicografado por Chico Xavier, fala-nos de um irmão das lides espíritas de Belo Horizonte que, em 1949, "como que minado por invencível esgotamento, suicidou-se sem razões plausíveis, trazendo com isso dolorosa surpresa a todos os seus amigos". Nessa sua mensagem, ele lembra sua condição de ex-médium, ex-doutrinador, que consolou e foi consolado. Mas a dúvida alcançou-o como um nevoeiro, levando-o a enredar-se nas malhas de velhos inimigos a lhe acenarem do pretérito. E esses adversários sutilmente me impuseram à lembrança o passado que se desenvolveu dentro de mim, fustigando-me os germes de boa vontade e fé, assim como a ventania forte castiga a erva tenra". Resultado: a ideia da autodestruição assomou-lhe a cabeça e, apesar da relutância, em dado instante a sua fraqueza transformou-se em derrota. A esta altura da mensagem, ele transfere ao leitor a ideia de uma avaliação sobre o seu ato. "Dizer o que foi o suicídio para um aprendiz da fé que abraçamos, ou relacionar o tormento de um Espírito consciente da própria responsabilidade é tarefa que escapa aos meus recursos". É um depoimento duro, mas que deve ser conhecido por todo médium, doutrinador e espíritas em geral.

51. Com quantos componentes e como deve funcionar uma equipe para trabalhos de desobsessão numa Casa Espírita?

Recomenda O Livro dos Médiuns, ao final da questão 334, 2a. Parte, Capítulo XXIX: "...as reuniões espíritas devem visar em se multiplicarem em pequenos grupos antes que procurar se constituírem em grandes aglomerações". O grupo de desobsessão no Bom Caminho é de 20 médiuns de incorporação e 20 de esclarecimento e um dirigente e um adjunto, A duração da reunião é de 1h40min. Antes, durante 10 minutos, há uma reunião geral com todos para um rápido estudo do Evangelho.


127 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

11a. Aula Doutrinação

81. Como tratar, porém, o Espírito que se diz consciente da sua situação, mas que assume a personificação e o linguajar de preto-velho por ter sido está uma das encarnações mais profícuas para sua rea

10a. Aula - Doutrinação

52. Como o doutrinador deve abrir a reunião para tratamento de doutrinação? Não há uma norma rígida e genérica para a abertura desses trabalhos, registrando-se pequenas diferenças de grupos para grupo

8a. Aula - Doutrinação

12. O uso de bebida alcoólica tem influência sobre o doutrinador? A orientação é a mesma que se dá aos médiuns e espíritas em geral. Mesmo os inocentes aperitivos devem ser evitados, tendo-se em mente

Comentários


bottom of page