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  • mario

8a. Aula - Doutrinação

12. O uso de bebida alcoólica tem influência sobre o doutrinador? A orientação é a mesma que se dá aos médiuns e espíritas em geral. Mesmo os inocentes aperitivos devem ser evitados, tendo-se em mente que o médium (e aqui é o caso do médium esclarecedor ou doutrinador) é médium as vinte e quatro horas do dia, todos os dias, desconhecendo o momento em que o plano espiritual necessitará do seu concurso. Além do mais, quem bebe não tem condições morais para orientar Espíritos nem encarnados alcoólatras. E a autoridade do doutrinador sobre os obsessores, como já foi dito, está no seu “ascendente moral”.

13. E quanto à alimentação, há recomendações específicas dos Espíritos? Aí é uma questão mais de foro íntimo. O próprio Mestre de Nazaré nos informa pelo Evangelho que não é o que entra pela boca que macula o homem, mas o que sai da boca, porque o que sai da boca é de que está cheio o coração. Entretanto, o bom senso está a nos dizer que ninguém deve se empanturrar para qualquer atividade, principalmente aquelas de natureza espiritual. É aconselhável uma alimentação mais leve para os dias de doutrinação. O médium deve ter a consciência biofisiológica que após uma alimentação pesada o organismo tende e concentrar seus esforços no processo digestivo causando sonolência, falta de concentração e dificultando a doação fluídica para os trabalhos. Por isso é pedido que não se alimente de carnes, embutidos, industrializados, bebidas gaseificadas.

14. Como se comportar diante dos Espíritos que rejeitam a doutrinação? Em tudo deve prevalecer o bom senso. O doutrinador deixa a entidade falar, dizer a que veio, o que deseja e vai tentando conversar com ela, perguntando sem agressão, chamando o desencarnado à meditação, à compreensão, porém consciente de que nem sempre será tarefa fácil ou imediata despertar-lhe a atenção. Como há pessoas encarnadas que têm dificuldade de aceitar as coisas por múltiplas razões e que, por isso, precisam de meses ou mesmo anos para mudar suas opiniões ou renunciar a determinados costumes e procedimentos, a mesma coisa acontece com muitos desencarnados que levaram para o além-túmulo esse caráter. Essa é uma tarefa que requer muita paciência, perseverança, além de tato e habilidade, para a condução ao bem de Espíritos quase sempre muito perversos, endurecidos, astuciosos e rebeldes até o último grau. Devemos lembrar aqui, principalmente, que muitos irmãos ao desencarnar foram envolvidos em mentiras, persuasões para o mal, foram aprisionados por entidades maléficas e hoje se apresentam descrentes de qualquer um que “queira ajudar”. Neste momento entra a doação de energia de amor na conversação e a luz da aura do doutrinador que lhe mostra as verdadeiras intenções.

15. O doutrinador deve revelar a condição espiritual do comunicante? Essa questão de esclarecer o Espírito no primeiro encontro é um ato de invigilância e pode até contribuir para agravar o estado de perturbação e desespero da entidade. Dizer-se a alguém que ele já morreu e esperar que esse alguém receba essa informação com serenidade não fala ao bom senso. Pense como um encarnado receberia a informação seca e dura do médico de que ele é portador de um câncer ou de qualquer outra doença grave e que está em fase terminal! Os Espíritos também são gente e necessitam igualmente de todas essas técnicas da psicologia humana para receber determinadas informações a seu respeito e a respeito daquilo que lhes interessa diretamente, que faz parte do seu mundo íntimo, da sua cultura. Algumas verdades devem ser reveladas em doses e com muita habilidade. As vezes há esta necessidade quando os espíritos são recalcitrantes, mas devemos neste momento, em prece, pedir ajuda dos benfeitores e levar o esclarecimento com cuidado e muito amor.

16. Quem deve falar mais, doutrinador ou comunicante?

Muitas vezes, na ânsia de ver as entidades esclarecidas e renovadas, o doutrinador se perde numa excessiva e cansativa doutrinação, quase sempre improdutiva e exasperante até. É recomendável dispensar sempre os discursos durante a doutrinação, de modo a permitir que o comunicante possa expressar suas dificuldades, em razão das quais o doutrinador traçará a linha do diálogo de forma “objetiva e esclarecedora”. Para tudo existe um meio termo, nem tanto à terra, nem tanto ao mar – diz a filosofia popular. No Bom Caminho temos constantemente chamado a atenção a este aspecto dos nossos doutrinadores para que evitem fazer “palestras” para os espíritos.

17. O doutrinador deve doutrinar de olhos fechados?

Não. O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância, não só quanto aos seus próprios sentimentos e pensamentos, mas também quanto às suas suposições e intuições; quanto ao que contém nas entrelinhas do que diz o manifestante e sobretudo quanto ao que acontece à sua volta e com os demais componentes do grupo. Deve, portanto, estar olhando para dentro e para fora, para enxergar também a sua própria conduta não apenas durante o trabalho, mas no seu proceder diário. É sugestiva a resposta de Bartimeu, o Cego de Jericó, quando Jesus lhe pergunta: — Que queres que eu te faça? E ele responde: Que eu veja (Marcos, 10:51). Atento a tudo, para comandar com segurança a sessão de desobsessão, deve ser uma das principais preocupações do doutrinador.

18. Até que ponto os Espíritos rebeldes respeitam o doutrinador?

Pela firmeza de sua postura, a confiança na colaboração dos dirigentes espirituais e, como já dissemos noutras oportunidades, pelo seu ascendente moral real e não aparente. Dependendo da seriedade da reunião, os dirigentes invisíveis agem com toda presteza para coibir qualquer perturbação ou ameaça aos trabalhos. Conta-nos André Luiz que numa dessas reuniões de socorro espiritual, um dos necessitados que tomara o médium sob forte excitação quis agredir os componentes da mesa em tarefa de auxílio fraternal. "Antes, porém, que pusesse em prática o sinistro desígnio, vi que os técnicos de nosso plano trabalhavam ativos na composição de uma forma sem vida própria, que trouxeram imediatamente, encostando-a no provável agressor. Era um esqueleto de terrível aspecto, que ele contemplou de alto a baixo, pondo-se a tremer, humilhado, esquecendo o triste propósito de ferir benfeitores".

19. E quando os Espíritos lançam ameaças e desafios ao doutrinador?

Não aceitar a intimidação, pois sofremos apenas o que estiver em nossos compromissos espirituais. Isso não significa que devamos reagir à provocação no mesmo tom. Não deve o doutrinador ridicularizar qualquer bravata do obsessor, nem desafiar a ameaça, nem responder à ironia com morfa, nem se intimidar. A prudência é a postura indicada. A nós, muitas vezes, eles poderiam vencer em razão das nossas próprias limitações morais, mas a proteção da equipe espiritual, como já ficou provado por André Luiz, nos dá o amparo e ascendência momentânea, considerando-se o elevado objetivo da reunião. Já tivemos casos no Bom Caminho de espíritos ameaçar ao Tio e a diversos trabalhadores e alguns sentiram-se intimidados pelo que ouviram ou deixaram-se ouvir, por exemplo: um espírito disse como eu vou morrer.... Os espíritos não sabem como o outro vai morrer, mas até podem supor pelo tipo de vida que o médium leva, daí ele está apontando para supostas consequências, porém temos livre-arbítrio de escolhas fazemos, nós, o nosso destino

20. Se o obsessor passa a acusar o doutrinador, a apontar suas falhas?

Como Espírito imperfeito, a exemplo dos encarnados, ele procura explorar também as nossas imperfeições, os nossos defeitos. E na condição de desencarnado, ele nos observa com muito mais profundidade, podendo ter acesso inclusive às nossas falhas atuais e do nosso passado. Devemos manter a posição de humildade, se possível mostrando-lhe que estamos em luta contra as nossas imperfeições e que merecemos todos nós, por esse tipo de esforço, inclusive ele se também desejar melhorar-se, estímulo e respeito. Com paciência e sinceridade, ele terminará compreendendo. Jamais, porém, devemos exibir virtudes que não temos. Nunca se sentir melhor do que os comunicantes. Por isso em todo final de trabalho ao comentarmos como foi a sessão devemos dizer: os espíritos que se comunicaram mostraram na data de hoje como “nós” ainda somos tão imperfeitos....

21. E quando o Espírito se põe naquela gritaria, sem querer ouvir e mais para confundir o doutrinador?

A gritaria e a confusão não conduzem a nada, a não ser ao clima de perturbação da reunião. Muitas vezes, é mais uma manobra do obsessor ardiloso para desestabilizar emocionalmente o doutrinador e o restante do grupo, na ânsia de impedir o êxito da desobsessão. Se não houver condições de diálogo, é preferível que o dirigente da sessão peça o concurso dos bons Espíritos para a retirada do irmão perturbador, até que ele possa voltar noutra oportunidade para uma nova tentativa de esclarecimento. Mas nunca devemos tentar vencê-lo na discussão. Podemos também o tratar com passes magnéticos de relaxamento e equilíbrio para que ele possa ficar mais receptivo a conversação.

22. Como agir quando o comunicante propõe acordo, pacto, barganha etc.?

Simplesmente não aceitar. Mas faça isso sem deixar transparecer qualquer reação de censura ou indignação. Não tente ludibriá-lo com propostas, promessas, com objetivo de levar vantagem sobre o irmão astuto. Use sempre a sinceridade de propósitos, tentando persuadi-lo de que a única proposta que atende aos interesses reais de ambas as partes é aquela do Divino Mestre que nos aconselha o perdão aos inimigos e o amai-vos uns aos outros.

23. Como identificar se o Espírito está aceitando a doutrinação?

Quando ele passa a ouvir, saindo do campo da rejeição pura e simples para o tom de arrependimento que o leva muitas vezes às lágrimas, quando não a pranto convulsivo. Nesse momento, o comunicante rebelde começa a ser alcançado no seu coração. Há outros Espíritos que denotam essa tendência de aceitação do esclarecimento entregando-se a um silêncio reflexivo entremeado de algumas perguntas refletindo o desejo de auxílio para a renovação. A essa altura, cabe ao doutrinador investir com todas as vibrações de amor fraternal, reforçando suas palavras de estímulo ao irmão que começa a quebrar as algemas do jugo infeliz.

24. E se a entidade adotar o silêncio total, recusando-se a falar?

O doutrinador insiste amorosamente, utilizando algumas técnicas da própria psicologia social, como estímulo ao diálogo, ao mesmo tempo em que analisa pelas reações físicas do médium se não se trata de alguma entidade que deixou o casulo físico na condição de mudo, transportando para a erraticidade os condicionamentos do equipamento da fala. Se não fala por decisão própria de não querer ouvir, para não ceder à possibilidade de mudança de sua atitude mental pelo diálogo esclarecedor, é aconselhável que o doutrinador a deixe à vontade, entregue ao socorro da equipe espiritual até que ela possa retornar com predisposições renovadas. Podemos nesta situação dizer que respeitamos o silencio, mas iremos fazer algumas considerações para que ele reflita sobre elas. E daí explicamos a situação do socorro fraterno.

25. E como identificar se o Espírito é de um mudo?

O Espírito desencarnado difere do encarnado apenas pela falta do corpo físico, mas é o mesmo, com os mesmos sentimentos, as mesmas sensações, os mesmos defeitos e virtudes. O Espírito que sofreu a prova da mudez na Terra, se não é alguém esclarecido, vai continuar se expressando por gestos, trejeitos, sinais, ou seja, com os mesmos recursos de que se utilizou como encarnado. Muitas vezes é levado a essas reuniões mediúnicas para receber o esclarecimento necessário que o libertará desses condicionamentos temporários. E nessa reunião, nós o identificaremos por esses sinais, pelo esforço que emprega para se fazer entendido.

26. Como identificar o sexo do Espírito comunicante?

A identificação dos Espíritos não é uma coisa absolutamente necessária nas reuniões mediúnicas, porque a prática da caridade dispensa todas essas preocupações de ordem secundária. Mas, para facilitar a comunicação e o diálogo, o doutrinador basta ficar atento à linguagem do comunicante que logo o reconhecerá se se trata de homem ou mulher, de jovem ou criança ou de velho. O Espírito que toma o instrumento mediúnico queixando-se, por exemplo, de que está "cansada”, só pode ser alguém do sexo feminino. Ao que se proclama "revoltado" só podemos atribuir ao sexo masculino. E assim, com um pouco mais de atenção, o dirigente vai recolhendo do próprio Espírito um conjunto de informações que permitam a sua identificação quanto ao sexo e a outros aspectos. doutrinação vai habilitando o doutrinador para tudo isso.

27. O homossexual pode ser médium e doutrinar Espíritos?

Primeiro, é preciso saber que o Espiritismo não alimenta qualquer tipo de censura preconceito, porque é da sua essência a Caridade. E como diz Emmanuel em Fonte Viva: "Não troques a realidade pelas aparências. Respeitemos cada realização em seu tempo e cada pessoa no lugar que lhe é devido". Mas ao responder certa vez a primeira parte desta pergunta feita por um homossexual, através de carta, Carlos Imbassahy explicou que "Mediunidade nada tem a ver com o comportamento social das criaturas". Logo, qualquer pessoa pode ser médium, independente de todas essas situações. Agora, trabalhar em desobsessão como médium ou doutrinador, não é problema de ser homossexual, bissexual, heterossexual ou transexual. O que é preciso é reunir algumas condições morais que deem ao médium como ao doutrinador a autoridade real, e não aparente, sobre os Espíritos obsessores com os quais vão tratar nas reuniões mediúnicas. Do contrário, eles não os respeitarão, como não respeitarão igualmente o polígamo, a adúltera, o machão, o sabichão e outro qualquer que não reúnam essas condições morais que tais tarefas requerem e que garantem o equilíbrio e o êxito dessas atividades num templo espírita que desempenhe verdadeiramente a sua missão.

28. Até quanto tempo uma gestante pode trabalhar como doutrinador ou médium de um grupo de desobsessão?

A médium pode trabalhar enquanto sentir vontade e não sentir cansaço físico ou mental. Temos médiuns que se sentiram muito bem nos trabalhos e que só se desligaram já pertinho do bebê nascer. É uma situação que depende muito das condições da gestante, do tipo de atividade que desenvolve e como desenvolve. Na parte da doutrinação, a coisa nos parece menos preocupante, mas de qualquer forma a nossa propensão é para o afastamento, consultando sempre a situação de fato e o grau de conhecimento da gestante sobre o assunto.

29. O que fazer o doutrinador quando a entidade parte para gritar impropérios? Aconselhar o médium a controlar a comunicação, pois compete ao médium educado no Evangelho e moralizado conduzir civilizadamente o comunicante, na conformidade que indique o bom-senso. Um médium disciplinado, comporta-se diante de uma situação dessas. A entidade "tentava gritar impropérios, mas debalde. A médium era um instrumento passivo no exterior, entretanto, nas profundezas do ser, mostrava as qualidades morais positivas que lhe eram conquista inalienável, impedindo aquele irmão de qualquer manifestação menos digna".

30. Como orientar o Espírito que se queixa de dores, de trevas, que se confessa em desespero ou simplesmente ignora a sua situação?

Sob o título "Socorro Espiritual", André Luiz nos conta um caso de doutrinação que começa com o comunicante dizendo: — Estou doente, desesperado!... Ao que responde o orientador: — Sim, todos somos enfermos, mas não nos cabe perder a confiança. Somos filhos de nosso Pai Celestial que é sempre pródigo em amor. E a mesma entidade dá novo tom à conversa: — É padre? Responde habilmente o doutrinador: — Não. Sou seu irmão. Reage a entidade, agressiva: — Mentira. Nem o conheço ..., Mas completa o dirigente sua frase anterior: — Somos uma só família, `a frente de Deus. O diálogo continua, até que o enfermo rebelde começa a ceder ao tom amoroso e sincero da argumentação tranquila do doutrinador, prorrompendo em lágrimas. A essa altura, comenta André Luiz: " Via-se, porém, com clareza, que não eram as palavras a força que o convencia, mas sim o sentimento irradiante com que eram estruturadas". Vale observar ainda que o doutrinador evitou, apesar de provocado, revelar a sua cor religiosa para não criar constrangimentos ao comunicante.


Comentário: vejam pelas respostas o quanto o fator "moral" do médium e a sua preparação pode facilitar ou complicar uma doutrinação. Por tanto as exigências feitas constantemente no trabalho é para que o grupo possa ser mais produtivo e que tenhamos eficácia nos atendimentos aos irmãos necessitados. É importante saber que os irmãos comunicantes assim como os mentores sabem da real "intenção" de estarmos frente a este trabalho quando chegamos para a reunião mediúnica.

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Muito enriquecedora essa aula, traz informações importantes para nosso aperfeiçoamento, postura e ações diante do trabalho doutrinário.

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