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  • mario

11a. Aula Doutrinação

81. Como tratar, porém, o Espírito que se diz consciente da sua situação, mas que assume a personificação e o linguajar de preto-velho por ter sido está uma das encarnações mais profícuas para sua reabilitação?

Será que ele está consciente mesmo da sua situação, ou será que não transporta, no fundo, os atavismos das suas crenças primitivas, sobre os quais já falamos? Divaldo Pereira Franco conta que, no começo de suas atividades mediúnicas, recebeu muita ajuda de uma entidade que se dizia preto -velho. Num determinado instante, o Espírito Joanna de Angelis, que tinha real conhecimento da situação dessa entidade, dirigiu-se a ela advertindo-a, como reproduz em Palavras de Luz: "Se o meu amigo pretende o médium de que me utilizo, vai mudar de comportamento ou não poderá comunicar-se mais, porque não podemos perder tempo com frivolidades. Nosso tempo é muito reduzido". A entidade compreendeu a orientação e passou a comunicar-se com o nome que teve em outra encarnação, conclui Divaldo. A coleção Estudos e Cursos – Reuniões Mediúnicas dá a seguinte orientação: "Se o Espírito diz que se apresenta assim porque tal encarnação lhe foi muito útil por lhe haver permitido adquirir virtudes, especialmente a humildade (por não se rebelar nem odiar ante o domínio injusto que sofreu) e o deseja exemplificar, nossa atitude será: dizer que entendemos o seu propósito, mas que a humildade não consiste em aparências exteriores, nem em atitudes servis; ser humilde é não se considerar melhor e mais merecedor que os outros, não se colocar jamais acima de ninguém". É por aí a postura do doutrinador que se mantém consciente de que os Espíritos que ensinam buscam realmente a verdade, procurando superar a todo custo fantasias e enganos. Mas inconvenientes mesmo só há quando existe cilada, trama, mistificação ou fraude. Quando surgem esses tipos de manifestações, acolhemos discretamente sem dar-lhes, entretanto, estímulos, mantemos o nosso diálogo ao nível das orientações da Doutrina, acompanhamos o médium e lhe recomendamos a reforma íntima e o estudo. Geralmente, as que têm ocorrido têm como instrumentos mais médiuns egressos de grupos envolvidos com as crenças e práticas afro-brasileiras. Com o tempo, elas acabam sumindo, depois que o médium se informa e adere ao seu novo campo de sintonia no exercício da mediunidade. Alguns não conseguem se adaptar às novas práticas mediúnicas e terminam deixando nossos trabalhos e voltando aos seus antigos núcleos. Com certeza, não estavam preparados para os novos encargos. Mas um dia chegarão lá conduzidos pelas mãos transformadoras da evolução, pela lei do progresso.

82. Como se comportar, contudo, nas situações em que essas entidades se apresentam como preto-velho, índio ou caboclo na condição de colaboradoras e até orientadoras de determinados núcleos de encarnados que se autoproclamam espíritas, mas não cumprem as orientações mediúnicas deixadas por Allan Kardec nas obras da Doutrina?

O Espírito Manoel P. de Miranda, no livro Loucura e Obsessão, narra a belíssima história de renúncia de Emerenciana, uma antiga fidalga dinamarquesa que, depois de insuflar a guerra e a morte, reencarna na África sofrida com o ex-marido e o ex-filho, para purgarem juntos na escravidão o passado de orgulho e prepotência. Aí, ainda jovens, foram traficados para o Brasil, situando-se na Bahia. O filho rebelde desencarna assassinado e, na erraticidade, se converte num vingativo Exu. Ela, aceitando a corrigenda, progride e termina em Pernambuco, separada forçosamente do marido. Voltando ao plano espiritual, volta-se mais uma vez para ajudar o filho, agora reencarnado em condições aflitivas de perturbação espiritual. Com esse objetivo e por gratidão às experiências dolorosas da escravatura que lhe valeram o progresso, ela assume a condição de mentora espiritual, junto a um médium, apresentando-se como entidade do sincretismo afro-brasileiro numa casa de atendimento caracterizada pela prática de todos os rituais correspondentes. Sobre seu primeiro contato com essa entidade, Manoel P. de Miranda descreve: "Depois de saudar-nos, utilizando-se de linguagem diferente (o grifo é nosso) daquela em que se expressara através da psicofonia, foi-nos apresentada pelo Dr. Bezerra". (A referência aqui é ao Espírito Bezerra de Menezes, que propiciava os estudos ao autor espiritual da obra). Ao final de algumas orientações psicofonias que a mentora da Casa proporcionou através do médium, em linguagem típica, Manoel P. de Miranda concluiu que "as elucidações apresentadas, apesar da linguagem forte (grifo nosso), estavam perfeitamente concordes com os códigos da Doutrina Espírita e seguiram a linha do pensamento evangélico...." Nesses casos, se a entidade é esclarecida e apenas a forma exterior de conduzir a orientação é que difere, temos que considerar a estratégia utilizada para alcançar o nível de entendimento do grupo social em que o Espírito atua. E nesta história, é o próprio Dr. Bezerra de Menezes quem esclarece: "Os Espíritos, portanto, avançam conforme as motivações que os estimulam".

83. E como encarar as entidades que se apresentam como índios e se proclamam, às vezes, protetoras de determinados pessoas?

Allan Kardec nos informa, através de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no seu capítulo XXVIII, item 11, que, além do nosso Anjo-Guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que são de ordem menos elevada, mas que nos assistem também com seus conselhos etc. Eles estão entre os nossos amigos, parentes ou até pessoas que não conhecemos na existência atual. A este propósito, a médium Ivone A. Pereira nos fala de uma entidade que a guardava às vezes dos Espíritos perseguidores, nos desdobramentos que ela tinha durante o sono. Era um índio brasileiro, mas que lhe falava em linguagem normal como a dela. Por insistência da médium, ele se revelou seu parente noutras encarnações e, para surpresa dela, contou que fora antes civilizado em outras plagas de onde mantinha com ela ligações espirituais. Reencarnou como índio, no Brasil, como punição pela longa série de erros e infrações cometidas contra as leis de Deus. Segundo ele, ser banido para as matas é o equivalente ao banimento para mundos primitivos. A médium quis saber, então como explicar o fato de ele já ter sido um civilizado encarnado e conservar ainda hoje uma configuração indígena, tão primitiva. Não já seria tempo de corrigir os complexos mentais, ou a aparência indígena seria uma preferência às das antigas existências odiosas que o levaram ao banimento? Ele se explicou com outra pergunta: "Como parecer a mim mesmo ou a outrem com a personalidade de um déspota, um tirano, um celerado, um traidor?".

É importante, portanto, o conhecimento aliado à experiência e à caridade, para superar contradições e dúvidas pela supremacia do bem. O tempo, a paciência e a sinceridade são técnicas infalíveis na elucidação da verdade.

84. Como o doutrinador deve conduzir médiuns que predizem tragédias ou que anunciam acontecimentos bombásticos a pretexto de prevenir pessoas e até instituições de experiências nefastas?

Deve evitar que as reuniões tomem esse rumo espetaculoso, geralmente impróprios para médiuns e instituições espíritas sérias. Qualquer mensagem de teor profético, seja ditada pelo Espírito que for e venha através do médium de maior respeitabilidade possível, deve ser analisada criteriosamente, mesmo porque as profecias, como podemos constatar no Livro de Jonas, não são infalíveis. É preciso, portanto, muita cautela, submeter qualquer manifestação nesse campo ao crivo da lógica e da razão para não cair na malha dos charlatães que estão a todo instante a anunciar desastres e tragédias que só servem para desacreditar as coisas sérias, suscitando o pânico e propagando a mentira. Por isso é que O Livro dos Médiuns, na questão 190, do Capítulo XVI (2a. Parte), diz a propósito dos chamados médiuns profetas: "Se há verdadeiros profetas, mais ainda os há falsos e que tomam os sonhos de sua imaginação por revelações, quando não são velhacos que, por ambição, se fazem passar como tais". E vejamos ainda o que diz O Livro dos Espíritos, no Livro III, Capítulo I, questão 624: "O verdadeiro profeta é um homem de bem inspirado por Deus. Pode-se reconhecê-los por suas palavras e por suas ações. Deus não pode se servir da boca do mentiroso para ensinar a verdade".

85. Como encaminhar os Espíritos que manifestam pavor da morte?

No capítulo 48 do livro Os Mensageiros, sob o título "Pavor da Morte", André Luiz narra uma cena que presenciou no interior de um necrotério: "O cadáver de uma jovem com menos de 30 anos ali jazia gelado e rígido, tendo ao seu lado uma entidade masculina, em atitude de zelo. Parecia recolhida a si mesma, sob forte impressão de terror. Cerrava as pálpebras, deliberadamente, receosa de olhar em torno." Havia uma outra entidade desencarnada junto dela, apontada como seu ex-noiva, que lhe chamava pelo nome tentando desvencilhá-la, há mais de seis horas depois de feito o desligamento. Mas ela fechava os olhos, tomada de terror, para não o ver. Foi que o instrutor Aniceto interveio sugerindo ao ex-noiva que não convinha se fazer visível a ela que não poderia revê-lo, naquelas circunstâncias, sem experimentar terrível comoção. Em seguida, aproxima-se dela e lhe fala exatamente como um doutrinador deve abordar qualquer Espírito que se manifeste em idêntica situação de pavor: —Vamos, Cremilda, ao novo tratamento. Ouvindo-o, a moça abriu os olhos espantadiços e exclamou: — Ah, doutor, graças a Deus! que pesadelo horrível! Sentia-me no reino dos mortos, ouvindo meu noivo, falecido há anos, chamar-me para a Eternidade!... — Não há morte, minha filha! — objetou Aniceto, afetuoso — creia na vida, na vida eterna, profunda, vitoriosa! — É o senhor o novo médico? — indagou, confortada. — Sim, fui chamado para aplicar-lhe alguns recursos em base magnética. Torna-se indispensável que durma e descanse.

A jovem dormiu quase imediatamente. Aniceto, bondoso, afastou-a dos despojos e a entregou ao ex-noiva para encaminhá-la convenientemente. E depois comentou: — Como veem, a ideia da morte não serve para aliviar, curar ou edificar verdadeiramente. É necessário difundir a ideia da vida vitoriosa".

86.. Como atender os Espíritos que se apresentam nas sessões como crianças, como se estivessem desamparadas chorando e chamando pela mãe, com a mesma linguagem, idênticas aflições e preocupações comuns às dos seres da sua idade, com os quais nos defrontamos a toda hora aqui mesmo encarnados na Terra?

Vamos seguir aqui, num primeiro enfoque, a orientação de Herculano Pires, em Obsessão, O Passe, A Doutrinação: "Nos casos de crianças desamparadas que chamam pela mãe o quadro é tocante, emocionando as pessoas sensíveis. Mas a verdade é que essas crianças estão assistidas". E aqui fazemos um rápido parêntesis para lembrar que Emmanuel Swedenborg, um dos precursores do Espiritismo, já revelava sobre as crianças no Mundo Espiritual: "As crianças são bem recebidas no Outro Mundo, sejam ou não batizadas. Aí elas crescem e são adotadas por mulheres jovens, até que lhes apareçam suas mães verdadeiras". O trecho sublinhado por nós é para chamar a atenção para a informação, hoje amplamente confirmada e difundida pelo Espiritismo, segundo a qual as crianças mortas continuam crescendo e desenvolvendo no Plano Espiritual. Quanto à sua adoção por mulheres jovens, como já detalhava Swedenborg, convém citar aqui também a experiência do Espírito Cláudia Pinheiro Galasse, desencarnado aos 19 anos, que teve como tarefa inicial cuidar de crianças desencarnadas com até dois anos, num educandário no Mundo Espiritual. No livro Escola no Além, que ela escreveu através de Chico Xavier, Cláudia revela detalhes da assistência às crianças e diz textualmente: "Estou feliz porque estou aprendendo a amar os filhinhos de lares alheios quais se fossem nossos familiares". Então, voltando a Herculano Pires, vejamos o que ele recomenda ao doutrinador nesses casos: "Tratados com amor e compreensão, esses Espíritos logo percebem a presença de entidades que na verdade já as socorriam e as levaram à sessão para facilitar-lhes a percepção do socorro espiritual antes não percebido por motivos diversos: a incapacidade de compreender por si mesmas a situação, a completa ignorância do problema da morte em que foram mantidas ou consequências do passado reencarnatório em que abandonaram as crianças ao léu, ou mesmo em que as mataram". Nessas condições, segundo nos esclarece ainda Herculano Pires, a reação moral da Lei de Causa e Efeito as obriga a passar pelas mesmas situações a que submeteram outros seres em vida anterior". Tratá-los, portanto, com amor e compreensão, como orienta Herculano Pires, significa falar-lhes como se fala a uma criança encarnada que surpreendamos juntos de nós, em idêntica situação: acolhê-la, consolando-a, dizendo-lhe que tudo está bem, que a mamãe não desapareceu, que ela está sendo protegida, que tem pessoas amigas cuidando dela, tentando enfim confortá-la através de uma psicologia adequada, fundada no amor e no bom-senso.

87. E quanto às manifestações de Espíritos na condição de crianças que se apresentam em quadros obsessivos junto de crianças encarnadas, sugerindo-lhes posturas agressivas, proezas diversas, brincadeiras extravagantes, com fim premeditado de conduzi-las a acidentes fatais, ou até mesmo ao suicídio?

A obsessão na infância é uma realidade. Estão por toda parte e em todas as épocas. É muito conhecido, no Evangelho, a passagem em que Jesus expulsa um Espírito que atormentava um menino: "Senhor, tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre muito: cai ora no fogo, ora na água..." queixa-se um homem ao Mestre, apresentando o menino que os apóstolos tinham, em vão, tentado curar. Grifamos a palavra lunático, usada para designar pessoas desequilibradas, sob influência da Lua, doidas, maníacas, visionárias. Mas vamos a uma situação mais local: Carlos Bernardo Loureiro fala, em A Obsessão e seus Mistérios, de uma menina de cinco anos que conversava com um Espírito que se apresentava também como menina, sob o nome de Lene. A entidade sugeria à garota pular do alto do sobrado onde brincavam, que ela a apararia embaixo. Na verdade, ela estava induzindo a criança ao suicídio. Apavorada, depois que a filha lhe contou que ainda não havia pulado porque tinha muito medo de se ferir, a mãe correu com a menina para os psicólogos e psiquiatras imaginando que a criança estivesse sofrendo de distúrbios mentais. A coisa piorou, obrigando a mãe, em pânico, a recorrer ao Espiritismo. Não foi fácil atrair a entidade às sessões de desobsessão, até que ela cedeu, revelando-se um Espírito sofrido, cheio de mágoas, traumatizado, obcecado por incontido desejo de vingança. Sua vítima, no caso a menina que induzia ao suicídio, fora seu desafeto noutra existência e escapara da justiça dos homens por tráfico de influência, em virtude do poder de que desfrutava na sociedade em que ambos, obsessor e obsidiado, viveram. Conta Loureiro que a melhor estratégia para convencer o obsessor foi respeitá-lo, levando em consideração as suas ideias, embora torpes, com que tentava impor como legítimo o fato de estar procurando fazer justiça com as próprias mãos.

88. E qual a orientação quando a entidade que se manifesta como criança se inclui entre os Espíritos protetores, guias espirituais ou membro de falanges de socorristas espirituais?

Mais uma vez recorremos à opinião respeitável do professor Herculano Pires, que se referindo diretamente a este aspecto por demais delicado das manifestações espíritas, recomenda textualmente: "Quanto às manifestações de crianças que são consideradas como Espíritos pertencentes a legiões infantis de socorro e ajuda, o doutrinador não deve deixar-se levar por essa aparência, mas doutrinar o Espírito para que ele retome com mais facilidade a sua posição natural de adulto, o que depende apenas de esclarecimento doutrinário." Ele se refere ainda às correntes de crianças que se manifestam nas linhas de Umbanda e noutras formas do mediunismo popular, que estão, na sua opinião, em condições de ser encaminhadas como Espíritos adultos no Plano Espiritual. "Se lhes dermos atenção, continuarão a manifestar-se dessa maneira, entregando-se a simulações que, embora sem intenções malévolas, prejudicam a sua própria e necessária reintegração na vida espiritual de maneira normal". E adverte: "Esses Espíritos apegados à forma carnal em que morreram (como crianças) entregam-se a fantasias e ilusões que lhes são agradáveis, mas que ao mesmo tempo os desviam de suas obrigações de após morte". Esta não deve ser uma regra, porque a diversificação, as nuanças infinitas do Mundo Espiritual não comportam regras, mas um roteiro que pode ser mudado de acordo com as circunstâncias e o consenso. Não será este, certamente, o tratamento que o doutrinador deverá dispensar a Espíritos que, por uma circunstância especial, conservam as suas aparências infantis. O Espírito Irmão Jacob, por exemplo, nos dá notícias, na sua obra Voltei, psicografada por Chico Xavier, dos Escoteiros do Heroísmo Espiritual, Espíritos de excepcional adiantamento moral e que fazem parte de caravanas em missão de socorro a adultos e crianças desencarnadas. Em Colônias Espirituais, Lúcia Loureiro nos diz que "muitas dessas crianças se tornam mentoras dos próprios pais". Têm ainda os casos de reuniões de desobsessão em que os Espíritos mentores utilizam outros com características perispirituais infantis para sensibilizar obsessores embrutecidos. Mostram, por exemplo, a pais vingadores filhos pequeninos deles separados apenas pelas vibrações do ódio nos seus propósitos cristalizados de vingança contra antigos algozes. A orientação do professor Herculano Pires, todavia, permanece como altamente válida também para os que se manifestam nas sessões como crianças, alegando de forma aparentemente ingênua e melíflua que não querem fazer mal, mas apenas brincar com as crianças encarnadas que acompanham. Que elas vão brincar nos parques das instituições educativas do Mundo Espiritual com outros amiguinhos em tratamento.

89. E quando os Espíritos se apresentam condicionados como debilóides, loucos, exibindo defeitos, limitações físicas, ou ainda formas larvares ou animalescas?

De volta à erraticidade, os Espíritos não rompem de imediato com as aptidões, vícios e inibições que o caracterizaram na experiência física. Como desencarnado, o Espírito continuará exibindo e experimentando as mesmas limitações e condicionamentos de sua existência carnal, por mais ou menos tempo, dependendo do seu grau de evolução, do preparo espiritual. Assim, continuam com seus defeitos físicos, suas limitações psíquicas, as antigas enfermidades, os mesmos desequilíbrios, vícios e imperfeições, até que, assistidos por benfeitores e tratados em instituições espirituais apropriadas, tenham superadas suas inadaptações e se vejam, finalmente, reintegrados à vida normal do Outro Mundo. Ora, nesse período de readaptação à erraticidade, eles poderão se manifestar nas sessões de desobsessões como recurso de orientação e esclarecimento. O professor Herculano Pires é de acordo que esses seres "sejam chamados à razão" pelo doutrinador. E justifica sua orientação esclarecendo que esses Espíritos são da classe dos que "se entregam comodamente à lei de inércia, querendo continuar indefinidamente como eram na sua encarnação". Ele aconselha que o doutrinador não deve contemporizar com essas situações, devendo empregar todos os meios para retirá-lo da acomodação, induzindo-os à reflexão e ao exame de suas responsabilidades na recomposição da própria caminhada evolutiva, utilizando-se dos imensos recursos que a Providência Divina lança em profusão ao alcance de todas as almas.

90. Mas o Espírito de um louco pode também se manifestar, em alguma reunião, sem a loucura?

A questão 375, do Livro II, Capítulo VII, de O Livro dos Espíritos, nos remete ao seguinte raciocínio: "O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria; encarnado, porém, encontra-se em condições muito diferente e na contingência de só o fazer com a ajuda dos órgãos especiais". Conclusão, portanto: se não é o Espírito que é louco, mas, sim, as distorções do seu cérebro que o levam a se comportar como tal, é claro que gozando da liberdade, ou seja, sem as restrições que lhe impõe o cérebro lesado, ele terá condições de se manifestar sem a loucura; como o cego, sem a cegueira; o surdo, sem a surdez; o mudo, sem a mudez. E a Revista Espírita nos dá exemplos dessa natureza de manifestações, inclusive com um idiota encarnado que, evocado, comparece à reunião e fala normalmente de suas limitações de encarnado. Mas é ainda O Livro dos Espíritos que nos adverte na mesma questão: como a matéria reage também sobre o Espírito, transmitindo-lhe, via perispírito, as impressões e sensações, "pode acontecer que com o tempo, quando a loucura durou bastante, a repetição dos mesmos atos acabe por ter sobre o Espírito uma influência da qual não se livra senão depois de sua completa separação de todas as impressões materiais". É por isso que temos, às vezes nas sessões, Espíritos que se manifestam como se fossem realmente loucos, sem ligar nada com nada, dominados pelas mesmas limitações de quando estavam encarnados. Com a continuidade das reuniões, eles vão sendo esclarecidos até se reencontrarem finalmente.

91.Como distinguir a loucura patológica (decorrente de lesão cerebral) da loucura produzida por obsessão (influência espiritual inferior)?

Na primeira, existe a lesão no órgão físico. Na segunda, não existe a lesão. Todavia, as reações e apresentações dos atos são idênticas. No caso da loucura obsessional, é o próprio perispírito que se acha afetado pela subjugação de um Espírito estranho que domina o Espírito do enfermo. Entretanto, se ela for prolongada, poderá provocar a lesão orgânica e aí se converter em loucura real patológica. Estas são as explicações de Luiz Schvartz, em Obsessão - Estudo Introdutório. Ele explica que a distinção entre uma e outra pode ser conseguida através da mediunidade (consulta aos Espíritos), ou mesmo pelos resultados de encefalogramas, radiografias, tomografias mostrando se há ou não lesão cerebral. Eis um caso típico de loucura por obsessão narrado na obra A Obsessão, que reúne informações da Revista Espírita editada por Allan Kardec: "A obsidiada tinha 22 anos; gozava de saúde perfeita. De repente foi acometida de um acesso de loucura. Os pais a trataram com médicos, mas inutilmente, pois o mal, em vez de desaparecer, tornou-se mais e mais intenso, a ponto de, durante as crises, ser impossível contê-la. A conselho dos médicos, os pais obtiveram sua internação num hospício de alienados, onde seu estado não apresentou qualquer melhora". Levada a uma sessão de Espiritismo, obteve-se precisamente a informação dos guias espirituais de que a jovem estava subjugada por um Espírito muito rebelde. Evocado oito dias seguidos, ele terminou mudando as disposições, renunciando, finalmente, a sua vítima. A jovem ficou totalmente curada. O Dr. Bezerra de Menezes, no seu livro A Loucura sob Novo Prisma, diz que não é fácil fazer-se essa distinção entre loucura real e loucura obsessional, "porque quem vê um louco vê um obsidiado, tanto que até hoje se tem confundido um com o outro". Ele cita as muitas experiências que teve com fatos dessa natureza, inclusive com um filho, para sugerir ao final que o método que seguiu "sempre com resultado" foi o da consulta mediúnica a um Espírito. De qualquer modo, temos que considerar a dedicação, a vivência e a intuição como recursos providenciais para um diagnóstico à primeira vista, caso não haja meios seguros para a consulta mediúnica. Tivemos algumas experiências próximas com pacientes totalmente recuperados sem a intervenção de psiquiatras. Um dado forte, que contribuiu muito para o êxito do tratamento de três meses, foi a participação em peso de toda a família do paciente.

92. Como tirar o Espírito comunicante de uma ideia fixa?

Se o Espírito demonstra que está dominado por uma ideia fixa, ou seja, andando em círculo sem conseguir sair dele, o médium esclarecedor deve tomar a iniciativa de tentar quebrar esse monólogo. Há casos em que a entidade repete de tal forma o objeto causa da sua fixação mental que não consegue nem ouvir o doutrinador. É como se fosse um disco emperrado, alguém com todas as suas atenções centradas numa única preocupação da qual não consegue se libertar. Cabe ao doutrinador fazer perguntas oportunas e com interesse fraterno, tentando chamar a atenção do Espírito para algo diferente, ou entrar no seu tema para logo puxá-lo para outros ângulos ou assuntos que possam atrair seu interesse e descongestionar o seu campo mental. Num dado momento, no Grupo Espírita Paulo e Estêvão, o doutrinador tentava convencer um Espírito de que não lhe interessava mais a farda que desaparecera em combate e que ele tentava reaver desesperadamente aos gritos: — Eu quero a minha farda! Eu quero a minha farda!... De nada valia o esforço de esclarecimento do doutrinador, porque o Espírito continuava gritando que queria a farda, não podia ficar sem a farda. Foi aí que um dirigente militar pediu permissão ao doutrinador, tomou-lhe a palavra e se voltou, solícito e com firmeza, para a entidade dizendo-lhe: — Você está com a razão, meu amigo... um militar não pode ficar sem a farda! E concluiu, incisivo: — Está aí a sua farda... está tudo bem, agora. A entidade acalmou-se, dando a ideia de contentamento, e passou a ouvir o doutrinador. Quer dizer: não adianta teimar com o Espírito fixado numa ideia. É preciso, primeiro, removê-lo da fixação, para tentar, então, o diálogo esclarecedor.

93. Como encaminhar o diálogo com um Espírito que se julga protetor de determinados pacientes, sem que na verdade o seja?

Nesses não há maldade, propriamente falando. Há mais ignorância quanto ao seu verdadeiro estado. Eles acreditam que estão ajudando as pessoas às quais se mantem vinculados, geralmente por parentesco, mas involuntariamente estão é prejudicando-as. Compete ao doutrinador examinar esses quadros com segurança e chamar esses Espíritos à realidade que ainda ignoram. Considerar justas e nobres suas intenções, fazendo-os ver, porém, a necessidade, primeiro, de se melhorarem para ter condições reais de ajudar a pessoa ou pessoas pelas quais demonstram afeição, se assim for permitido pelos Espíritos superiores. Por enquanto, deverão se ater ao tratamento de si próprios, se é que são, de fato, ignorantes de sua verdadeira situação. Se forem Espíritos embusteiros, mistificadores, terão de ser desmascarados e chamados a reformular a conduta moral. Aí entra outra psicologia de doutrinação já abordada noutros itens deste trabalho.

94. Que orientação o doutrinador deve dar a esses Espíritos que se dizem sofrendo porque não pagaram promessas a santos feitas em vida, que pedem para mandar celebrar missas, acender velas, rezar ofícios ou queimar incensos etc.?

O médium Divaldo Franco comenta, em Diretrizes de Segurança, ser inevitável que muitos Espíritos, que são as almas dos homens e que estavam habituados às tradições dos cultos externos, rituais e místicas a que se afeiçoaram nas experiências religiosas, retornem do além-túmulo fazendo esses pedidos e recomendações absurdas quanto a uma aparente necessidade dessas manifestações de crenças baseadas nos dogmas e fórmulas exteriores. Allan Kardec formulou aos Espíritos codificadores a seguinte pergunta na questão 553 de O Livro dos Espíritos: "Qual pode ser o efeito das fórmulas e práticas com ajuda das quais certas pessoas pretendem dispor da vontade dos Espíritos". Resposta dos Espíritos: "... Todas as fórmulas são enganosas; não há nenhuma palavra sacramental, nenhum sinal cabalístico, nenhum talismã que tenha uma ação qualquer sobre os Espíritos, porque estes são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais". Por isso, conclui Divaldo Franco, seguindo o raciocínio inicial da sua abordagem em Diretrizes de Segurança: "Qualquer manifestação de culto externo, por desnecessária, é de segunda ordem, não merecendo maior consideração no que tange à educação mediúnica". Nós achamos, assim, que o doutrinador não deve alimentar essas ilusões no Espírito inconsciente, mas antes persuadi-lo quanto aos deveres e responsabilidades do verdadeiro crente, mas isso o fazendo fraternalmente e não com o sentimento de presunção, nem de querela, nem de imposição.

95. E quando o Espírito comunicante receita para o paciente que está sendo tratado na desobsessão banhos de sal, chás extravagantes, xaropes e práticas estranhas, como o doutrinador deve recebê-las?

Com muita cautela, uma vez que esse tipo de orientação apenas demonstra tratar-se de entidade sem maiores conhecimentos, ainda apegada a crenças e superstições que estão na base da sua cultura sociorreligiosa. Por ingênua ignorância ou maldade mesmo, há Espíritos que se aproveitam dessas sessões para continuar iludindo os homens sobre as chamadas "curas milagrosas", ritos e práticas bizarras que atendem plenamente àquelas pessoas que preferem as fórmulas mágicas — o uso por exemplo da água benta, a recitação de oblatos sacramentados — ao racional dever de se melhorarem pelo esforço digno e o combate sem trégua às suas imperfeições. "O homem procura sempre soluções milagrosas para suas aflições, para suas angústias ou dificuldades físicas, esquecidos de que tais efeitos decorreram de suas ações nesta ou noutra vida"— adverte-nos um trecho do Curso de Educação Mediúnica (Edições FEESP). E acrescenta que, por ser o homem imediatista, tem ele às vezes uma visão infantil de Deus, acredita que Deus faz concessões sobrenaturais, não conseguindo visualizar a diferença fundamental entre a verdade das Leis Divinas e as suas crenças interesseiras. Tanto as entidades como os encarnados que se prendem a essas práticas precisam do esclarecimento. Temos aí a necessidade de uma dupla doutrinação.

96. Como o doutrinador deve tratar os Espíritos que se identificam como padres, freiras, pastores e outros tipos de religiosos que se ocupam unicamente de combater o Espiritismo, mantendo a postura de quando eram encarnados?

Vamo-nos socorrer mais uma vez das luzes deixadas pelo professor Herculano Pires em suas obras. Em Santos, Diabos e Cléricos, Capítulo IV de Obsessão, o Passe, a Doutrinação, ele diz que quanto aos Espíritos de padres, freiras, frades e outros clérigos que se apresentam mais insistentes nas reuniões, querendo discutir sobre interpretações evangélicas, "o melhor que se pode fazer é convidá-los a orar a Jesus. Embora manhosos, são Espíritos necessitados de ajuda e esclarecimento. Com sinceridade e amor, são facilmente doutrináveis". E prossegue nas suas orientações: "Mais raras são as manifestações de pastores protestantes e de rabinos judeus, mas também ocorrem. Manifestam-se sempre demasiadamente apegados à letra dos textos bíblicos e evangélicos. Inútil entrar em discussão com eles. Tratados com amor e sinceridade acabam retirando-se e já entregues a antigos companheiros de profissão, já esclarecidos, que geralmente os trouxeram à sessão mediúnica para aproveitar as facilidades do ambiente". Nós mesmos da Mediúnica do Grupo Espírita Paulo e Estêvão, temos testemunhado muitas manifestações de religiosos que terminaram inclusive se integrando aos trabalhos espirituais da Casa. Muitos deles revelam depois nomes de superiores, que jamais imaginávamos, como sendo os Espíritos de religiosos que os trouxeram ao esclarecimento: são padres, bispos, frades e freiras. "Nossa função nas sessões"— orienta Herculano Pires — "é ajudar essas criaturas a se libertarem do passado, integrando-se na realidade espiritual que não atingiram na vida terrena, enleados nos enganos e nas ilusões de falsas doutrinas".

97. E qual a atitude a assumir diante da visita de outros Espíritos que se proclamam Santos e que ali estão para ajudar as pessoas com velhas promessas do céu beatífico e da salvação pela fé cega? Da mesma maneira como agem geralmente os Espíritos de religiosos, outros Espíritos comparecem a essas reuniões se anunciando santos e condenando sempre as práticas espíritas. Aqui, o doutrinador deve ter habilidade suficiente para saber distinguir dos Espíritos brincalhões e mistificadores as entidades ainda realmente apegadas aos seus títulos e hábitos religiosos. Os supostos santos usam uma linguagem melíflua, dando a ideia de falsa bondade, para iludir os incautos. Basta o doutrinador lembrar-lhes que se eles fossem realmente santos não estariam preocupados em combater as sessões mediúnicas sérias, envolvidas unicamente com a caridade e a prática dos ensinos de Jesus. Aconselhamos o professor Herculano Pires a não perdermos muito tempo com eles, mostrando-lhes que eles é que estão no mau caminho e que nada vão conseguir com suas manhas. Muitas dessas entidades, que precisam também de esclarecimento, se proclamam mensageiras de Nossa Senhora, de São Francisco e do próprio Jesus Cristo, vivenciando ainda as mesmas ilusões que cultivaram em suas experiências religiosas. Fora delas, há os Espíritos brincalhões e mistificadores que não perdem oportunidade para impressionar as pessoas excessivamente crédulas.

98. Quanto às entidades que se exibem como Diabos, não só ameaçando as sessões, como também prometendo demonstrações de força e poder?

Esses Espíritos costumam se manifestar sempre de forma grotesca, procurando fazer estardalhaço, ameaçando e roncando como bicho. São mais fanfarrões do que mesmo perversos. "Com paciência e calma, mas sem lhes dar trelas, o doutrinador não terá dificuldade em afastá-los". Sabemos que nos planos inferiores da Espiritualidade, os Espíritos encontram situações favoráveis à continuidade de suas atividades terrenas, mas a doutrinação tem o duplo poder da verdade e do amor, a que eles não podem resistir por muito tempo. Cabe ao doutrinador compreender bem esses problemas, lendo e estudando as obras doutrinárias e se fortalecendo moralmente para melhor ajudá-los na libertação definitiva de todos esses condicionamentos. E como insiste o professor Herculano Pires: "A doutrinação espírita equilibrada, amorosa, modifica a nós mesmos e aos outros, abre as mentes para a percepção da realidade real que nos escapa quando nos apegamos à ilusão das nossas pretensões individuais, geralmente mesquinhas". A verdade é que, como diz ainda Herculano Pires, "o trabalho maior é realizado pelos Espíritos incumbidos dessas tarefas no Mundo Espiritual".

99. O dirigente deve prolongar uma sessão mediúnica quando nenhuma comunicação se recebe dentro do horário normal, mesmo contando com médiuns desenvolvidos e bem-educados?

Que deve prolongar não é bem o termo, porque quando se fala deve se imaginar logo uma obrigatoriedade. E o dirigente da sessão não é obrigado a prolongá-la em nenhuma circunstância, mas a conduzi-la com equilíbrio para produzir os resultados benéficos a que ela se destina. A razão, segundo o professor. Herculano Pires, é o método utilizado pela Doutrina Espírita. O que for racional, portanto, numa atividade mediúnica, nada tem a temer. Se o bom senso indica que uma sessão mediúnica deve ser prolongada por necessidade real dos trabalhos, e nunca para atender a interesses particularizados ou a curiosidades não recomendáveis, o dirigente pode prolongá-la além do horário habitual, desde que não se torne isso uma rotina. Aliás, o próprio capítulo das sessões espíritas, na segunda parte de O Livro dos Médiuns, fala apenas do horário fixado para o início das reuniões no Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, embora esteja implícito que tudo que tem um horário para começar deve tê-lo também para terminar. É parte do processo de organização de qualquer atividade a distribuição racional do tempo, pois assim como as pessoas responsáveis, os Espíritos superiores não podem ficar à mercê dos nossos caprichos e das conveniências especificamente humanas. E André Luiz, sobre a pontualidade nas sessões de desobsessão, diz: "A hora de início das tarefas precisa mostrar-se austera, entendendo que o instante do encerramento é variável na pauta das circunstâncias". O mais estranho mesmo na pergunta não é ter que se adiar o término da sessão, mas ter que adiar por não terem os médiuns recebido qualquer comunicação no período normal dos trabalhos. Aí é que deve ter alguma coisa errada que a Casa Espírita precisa imediatamente avaliar para corrigir, apesar de sabermos que nem todos os Espíritos que são evocados podem atender naquele horário e que uma reunião nem sempre é suficiente para encerrar um problema, que pode perfeitamente ter sequência noutra ou em várias outras reuniões. "Para comer o pão da verdade só necessitamos dos dentes do bom-senso", ensina ainda o professor Herculano Pires. A título ainda de informação, vejamos esta outra orientação de André Luiz no mesmo livro Desobsessão: " Terminada a prece final, o diretor, com uma frase breve, dará a reunião por encerrada e fará no recinto a luz plena. Vale esclarecer que a reunião pode terminar antes do prazo de duas horas, a contar da prece inicial, evitando-se exceder esse limite de tempo." Como vemos, os Espíritos nos oferecem a melhor orientação a respeito do encerramento da sessão mediúnica, deixando conosco, porém, o dever de discernir.

100. As sessões mediúnicas só podem ser realizadas em recintos fechados e totalmente escuros?

Em recintos fechados sim, mas totalmente escuros não. Quanto a recintos fechados, é porque esse tipo de reunião requer recolhimento, meditação e profundo silêncio, o que se torna impossível num ambiente aberto. Mas vamos às instruções do professor J. Herculano Pires, no Capítulo VII da sua obra Mediunidade: "Há pessoas que desejam fazer sessões à plena luz, por entender que a penumbra habitual dá motivo a desconfianças e representa uma modalidade de formalismo. Mas a penumbra é necessária à boa concentração dos médiuns e mesmo dos assistentes. A iluminação normal da sala provoca distrações, penetra nas pálpebras e quebra o ambiente de recolhimento. Claro que não se deve fazer o escuro excessivo e muito menos completo, mas a penumbra do ambiente não é um aparato formal, é uma exigência natural da concentração serena. Além dessas razões evidentes, convém lembrar que o excesso de luz exerce influência inibitória sobre os médiuns e a emanação fluídica do ectoplasma." Como na Doutrina Espírita não há posições radicais e definitivas, as orientações do professor Herculano Pires sobre esse aspecto das sessões em recinto fechado não significam que elas não possam, eventualmente e por uma circunstância justificada, realizar-se em ambiente público e sob plena luz, uma vez que os Espíritos superiores não se preocupam com as formalidades, mas exclusivamente com o fundo e o sentido justo da assistência em qualquer setor. Todavia, a organização e a disciplina são recursos inerentes à qualidade e eficácia dos trabalhos. Assim sendo, as sessões em ambiente público, com a presença de pessoas estranhas ou mesmo dos enfermos encarnados em tratamento, têm ainda como inconvenientes a curiosidade dos assistentes, o risco de ficarem impressionados com as ameaças dos obsessores e de tomarem conhecimento sem a devida preparação de fatos grotescos relacionados com as vidas pretéritas dos pacientes, ou que sejam tornadas públicas experiências já vividas nesta existência. Também tem que se respeitar o obsessor em sua situação de desequilíbrio por um princípio básico da Doutrina que tem por fundamento a moral de Jesus — a caridade. Por tudo isto é que as sessões espíritas de desobsessão são realizadas em recinto fechado e sob penumbra, de preferência na Casa Espírita. Aí há uma preparação toda especial, como nos informa Bezerra de Menezes, através da mediunidade de Yvonne A. Pereira, em Dramas da Obsessão: "As vibrações disseminadas pelos ambientes de um Centro Espírita, pelos cuidados de seus tutelares invisíveis; os fluidos úteis, necessários aos variados quão delicados trabalhos que ali se devem processar, desde a cura de enfermos até a conversão de entidades desencarnadas sofredoras e até mesmo a oratória inspirada pelos instrutores espirituais, são elementos essenciais, mesmo indispensáveis a certa série de exposições movidas pelos obreiros da Imortalidade a serviço da Terceira Revelação".

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